Conselho de Comunicação repudia atos de violência a jornalistas durante greve dos caminhoneiros

(06/06) De acordo com o Conselho, nos últimos meses, em manifestações de vários tipos e origens, têm acontecido agressões a profissionais da imprensa

O Conselho de Comunicação Social (CCS) aprovou nesta segunda-feira (4) uma nota de repúdio as ameaças à liberdade de comunicação durante a greve dos caminhoneiros, ocorrida no final de maio. De acordo com o Conselho, nos últimos meses, em manifestações de vários tipos e origens, têm acontecido agressões a profissionais da imprensa, prática que atingiu o seu ápice durante a cobertura do movimento grevista.

O texto aprovado foi redigido pelo conselheiro Davi Emerich, representante da sociedade civil, com base nos relatos da conselheira Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). De acordo com as informações da Fenaj, até agora há relatos de ameaças e agressões a profissionais que trabalhavam na cobertura da greve em nove estados brasileiros, número que pode aumentar.

- Provavelmente muitos outros casos no interior do Brasil não chegaram ainda ao conhecimento das entidades profissionais que representam os jornalistas e radialistas – disse Emerich.

Entre os fatos denunciados estão impedimentos à cobertura, a imposição de destruição de imagens feitas em Pernambuco, a ameaça de atirar um repórter de um viaduto no Paraná e agressões a pauladas a um repórter cinematográfico e um técnico de áudio no interior de São Paulo. Também há uma denúncia sobre a censura interna em um jornal de Pernambuco, que teria distorcido as informações para dar um foco desfavorável aos grevistas.

Na nota, o Conselho de Comunicação afirma que a escalada de violência contra a imprensa precisa cessar e recomenda rigor do governo na aplicação das leis para garantir a livre produção de informação. Às empresas e profissionais de comunicação, a recomendação é de objetividade e transparência na cobertura. A nota também traz um apelo aos caminhoneiros.

- Aos diversos segmentos de trabalhadores da sociedade, agora, especialmente aos caminhoneiros e suas entidades, que repensem seus atos e passem a valorizar o trabalho da comunicação social, sem o qual as suas reivindicações podem se converter não em vitórias, mas em agressões ao nosso bem maior, a democracia – disse o conselheiro.

A nota será encaminhada ao presidente do Senado, Eunício Oliveira.

UIT

Na mesma reunião, os integrantes do conselho ouviram o chefe da assessoria internacional da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Jeferson Nacif. Ele falou sobre a União Internacional de Telecomunicações (UIT) no contexto das agências especializadas da ONU. A agência se dedica a temas relacionados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

Fonte: Conselho de Comunicação Social