O grande desafio da universalização do acesso à educação no país se encontra na zona rural e nas cidades pequenas.
09/04/2009Números de um balanço preliminar do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), apresentados durante a primeira mesa de debates do I Encontro Nacional de Comunicadores, mostram que o analfabeto médio no Brasil hoje tem 54 anos e mora no campo, onde o acesso à rede pública de ensino é mais difícil. O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que as pessoas já têm consciência da necessidade de ingressar na escola e de qualificar o ensino, mas que ainda existem obstáculos para o acesso universal à educação. Nós já temos a tecnologia necessária para educar, mas precisamos equalizar as oportunidades educacionais. Estamos melhorando, mas ainda longe do ideal.
De acordo com Haddad, todos os indicadores educacionais do país melhoraram nos últimos dez anos. A taxa de analfabetismo diminui a cada ano, chegando a 10% em 2007, e a escolaridade média está aumentando. Em 1997, os estudantes entre 10 e 17 anos passavam menos de seis anos na escola. Dez anos depois, a escolaridade média dessa faixa etária passou de oito anos. O ministro destacou que a educação é uma das prioridades do governo federal e que os investimentos na área mais do que duplicaram, saltando de R$ 20 bilhões em 2002 para R$ 42 bilhões, previstos no orçamento deste ano. Haddad, entretanto, disse que o aumento da verba não leva à melhoria direta do ensino. Tem gente que me pergunta se dinheiro resolve a questão da qualidade do ensino, e eu diria que resolve 50%. Os outros 50% dependem da formação de professores, infra-estrutura e participação dos pais no aprendizado.
As melhorias na educação básica no país são os primeiros resultados práticos do PDE, que inova ao enxergar todas as etapas do ciclo educacional como interrelacionadas. Haddad conta que essa visão sistêmica do ensino já está levando educação de qualidade para metade da população e que a próxima etapa é expandir essa rede. Cerca de 50% dos brasileiros já têm acesso a um ensino de qualidade, mas para os outros 50% ainda é fraco, e é isso que nós vamos melhorar daqui pra frente.
Para o presidente da Abert, Daniel Slavieiro, o MEC tem desenvolvido um ótimo trabalho ao divulgar os indicadores educacionais na internet, colocando-os à disposição de todos os comunicadores. A educação não é um problema de governo, e é uma questão atemporal; a radiodifusão, como o principal veículo de comunicação do país, tem que levantar essa bandeira.
Fonte: ABERT