<P>Sem dinheiro para se adaptar à nova tecnologia, 21 estações iriam encerrar suas transmissões ontem com o fim do sinal analógico</P>
13/06/2009Apesar de o governo americano ter adiado em quatro meses o fim das transmissões analógicas, a expectativa é que até 2,8 milhões de domicílios fiquem sem sinal de TV hoje nos EUA, quando toda a programação passará a ser levada ao ar exclusivamente no modo digital.
Após 60 anos, ontem foi o último dia em que as redes americanas transmitiram o sinal analógico, deixando só "chuviscos" para as pessoas que têm televisores antigos, ou não assinam TV cabo, ou ainda não compraram os conversores.
De acordo com a Nielsen, 2,8 milhões de lares (2,5% do total que tem TV) não estavam preparados para a mudança até o último domingo -em fevereiro, que era a data inicial para a troca definitiva, 5,8 milhões de domicílios corriam o risco de ficar sem sinal. A falta de preparo para a troca foi um dos motivos que levaram o governo americano a adiar mudança.
Pesquisa patrocinada pelas redes de TV mostrou que os norte-americanos tinham consciência da mudança -a qual vem sendo divulgada há dois anos-, mas que muitos simplesmente deixaram para o último minuto a aquisição de um conversor (alternativa mais barata, que custa de US$ 40 a US$ 60 -há subsídio estatal para os mais pobres) e agora correm o risco de ficar com um aparelho sem função.
NBA com o vizinho
Essa demora levou os americanos a buscar alternativas para acompanhar os seus programas favoritos. O aposentado Leo Jones, 79, disse que terá que ir amanhã à casa de um vizinho para assistir às finais da NBA (campeonato de basquete). Jones foi um dos que pediram na última hora o cupom de US$ 40 para adquirir o conversor, mas a ajuda estatal leva nove dias úteis para chegar, o que o levará a recorrer aos amigos por mais uma semana.
O Departamento de Comércio, responsável pelos cupons, disse que recebeu 320 mil pedidos anteontem, quatro vezes mais que a média de maio. No total, o governo já enviou quase 60 milhões de cupons para aquisição de conversores.
Para alguns, no entanto, nem a ajuda do governo é suficiente. "Sou aposentado por invalidez e não tenho condições de comprar um [conversor]", disse Harvey Durrett, 48, que ficou horas em fila na qual o aparelho estava sendo distribuído gratuitamente -sem sucesso. "Não consigo pegar nada na minha TV, então eu imagino que terei que ir à casa de amigos se quiser ver alguma coisa."
E a troca não afetou só os consumidores, já que 21 estações -de um total de 974-, sem dinheiro para se adaptar à nova tecnologia, simplesmente sairiam do ar, depois do fim da transmissão analógica (o encerramento do sinal deveria ocorrer até as 23h59 nos EUA).
No Brasil, TV analógica vai até 2016
No Brasil, o sinal analógico continuará a ser transmitido pelas emissoras até junho de 2016, segundo determinação do governo federal.
As transmissões da TV digital, com o padrão japonês, começaram em dezembro de 2007 na Grande São Paulo e a previsão é que, até 2013, chegue a todos os municípios. A partir de julho daquele ano, só serão outorgados canais em tecnologia digital.
Já no final deste ano, a estimativa é ser acessível em todas as capitais, assim como em outras 23 cidades-polo. Agora está presente em 19 cidades e mais uma será adicionada na quarta-feira: João Pessoa.
Para captar o sinal da TV digital, é preciso ter um conversor ou comprar uma televisão com o aparelho já embutido. Além disso, é necessário ter uma antena UHF.
O preço dos primeiros equipamentos lançados no país impediu a venda em larga escala. Os conversores mais caros chegavam a custar R$ 1.099, para televisores de alta definição (1.080 linhas). As chamadas TVs de tubo têm 480 linhas e, com o receptor, podem chegar a ter imagem de DVD.
Segundo o último balanço da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), foram produzidos, até abril, 161.434 conversores e 153.227 televisores de LCD com o receptor já incorporado.
Fonte: Folha de São Paulo