O radialista e jornalista participa de sua sexta Copa do Mundo. Telles é o correspondente da ACAERT na África. Ele relata como está sendo o trabalho de cobertura da imprensa.
17/06/2010
1) Depois de cinco Copas do Mundo, qual o seu sentimento em relação à Copa da África?
Em cada Copa a emoção é sempre diferente. Estar num país e numa competição onde estão milhares de colegas e outros tantos que gostariam de estar; ter a responsabilidade de se comunicar com milhões de pessoas; ouvir o Hino Nacional distante do seu país sempre causa um sentimento de orgulho e de gratidão, pela renovada oportunidade.
2) Como está sendo a rotina de cobrir o maior evento de futebol do mundo? Aponte as dificuldades.
Um pouco diferente das outras Copas. Em razão do fuso (cinco horas à frente) quando acordamos aqui, é madrugada no Brasil. Quando chega nossa hora de dormir os brasileiros estão em pleno trabalho. Isso não atrapalha o trabalho, mas tira qualquer chance de outras atividades na África do Sul. Tudo o que você tem que fazer terá que ser entre 8 e dez da manhã daqui, pois quando se retorna do treino ou do jogo a noite, o trabalho para o Brasil vai até mais tarde. Isso quer dizer que as horas de sono diminuíram.
3) Gostaríamos que você comparasse a relação do Dunga com a imprensa e a de outros treinadores brasileiros com a mídia.
Trabalhei com grandes treinadores como Wanderlei Luxemburgo, Zagallo, Felipão e Carlos Alberto Parreira, na seleção brasileira. Nenhum deles tinha essa rejeição pela imprensa. Dunga é muito rancoroso, guarda mágoas desde a ERA DUNGA e em pleno regime democrático, impôs uma ditadura na comunicação. Sou favorável à limitação no relacionamento para que os jogadores possam ficar mais concentrados no foco da competição, mas o que o nosso selecionador faz, é um exagero. Na verdade ele tem medo da imprensa, ou dela não se afastaria tanto.
4) Pelo o que você viu até agora, os estádios da África estão muito longe dos estádios brasileiros que devem se preparar para a Copa 2014?
Os estádios da África ainda têm alguns problemas. Em Joanesburgo, por exemplo, o Soccer City está uma beleza, mas o Ellis Park tem extremas deficiências em suas instalações. Não está apto para uma competição desse nível. Desde o acesso até as acomodações de imprensa - sempre uma rigorosa exigência da FIFA - deixa muito a desejar.
5) Em sua opinião, quem são os favoritos desta Copa?
A Copa do Mundo, às vezes, é muito traiçoeira com os grandes. Ou como vamos explicar o empate da Inglaterra (o maior país investidor no futebol) com os Estados Unidos? Ou a derrota da fúria espanhola para a Suíça? A competição ainda não tem favoritos definidos, mas as maiores forças são sempre Brasil, Argentina (está jogando muito), Alemanha e Itália. Nessa ordem.
6) Comente o seu trabalho para a ACAERT e o que isso representa para Santa Catarina.
Esta iniciativa da ACAERT é inédita no país. Pela primeira vez uma entidade se preocupa em atender seus filiados com igualdade de condições. Muitas das emissoras, que estão retransmitindo nosso trabalho, não teriam condições de ter uma voz catarinense, uma opinião regional, uma avaliação diferente e a liberdade de usar o seu correspondente com informações exclusivas, não fosse a ação da ACAERT. Entendo, ainda, que tão ou mais importante do que para a Copa de 2010, a visão da ACAERT vai trazer enormes benefícios para o rádio catarinense na Copa de 2014, no Brasil. Assim, a iniciativa tem uma visão futurista.
JB Telles no palco da Copa (Foto: Diário Catarinense)
Foto ACAERT
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