Brasil tenta exportar modelo de TV digital para África

Com adesão de mais governos ao sistema, país pode ganhar mercado para produtos que são desenvolvidos aqui. O Brasil abriu nova ofensiva após sofrer um revés na disputa para atrair os países africanos para o padrão de TV digital nipo-brasileiro.<BR>

14/02/2011

No fim do ano passado, a SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) fez uma recomendação para que os 15 países do grupo adotem o modelo europeu de TV digital. Pela recomendação, os integrantes podem até adotar outro padrão, desde que seja compatível com o sistema europeu.

Para tentar recuperar terreno, o Brasil começou a trabalhar na elaboração de testes que comprovem que é possível a "convivência" entre o sinal nipo-brasileiro e o europeu. Os testes terão de mostrar que não vai haver problemas de interferência entre os dois sistemas.

O Brasil fez forte lobby no ano passado e chegou a enviar à África do Sul um grupo de empresários e funcionários do governo. Mesmo com a pressão, a África do Sul, país de maior influência na região, resolveu optar pelo padrão europeu.
Esse foi o fator que mais pesou para decisão da SADC de recomendar o padrão europeu aos demais países do grupo. Moçambique, que faz parte da comunidade africana, já deu sinais de que tende a adotar o sistema europeu.

Tanto o Brasil como o Japão, detentores da tecnologia, estão de olho no mercado de 250 milhões de pessoas representado pela SADC, bloco que inclui economias em expansão como Angola. Com a adesão de mais países ao sistema nipo-brasileiro, o Brasil poderá ganhar mais mercado para produtos que já são desenvolvidos internamente, como conversores, transmissores, aparelhos de TV e conteúdos digitais interativos. Hoje, cerca de 600 milhões de pessoas estão sob o sistema nipo-brasileiro, que inclui basicamente o Japão e os países da América do Sul.

TESTES
A primeira etapa para a preparação do relatório brasileiro deve acabar até a próxima semana. A segunda etapa começará em seguida, com testes de transmissão. O sistema nipo-brasileiro de TV digital opera em 6 megahertz, enquanto o padrão europeu é de 8 megahertz. Os documentos brasileiros serão apresentados para a UIT (União Internacional de Telecomunicações), organização que padroniza as ondas de rádio e telecomunicações internacionais.
Os testes de transmissão serão feitos em Angola, país africano que atualmente é o mais assediado pelo Brasil. Segundo a Folha apurou, o Brasil tem boas chances de conseguir a adesão angolana caso tenha êxito nos testes de "compatibilidade" com o sistema europeu.

Promessa do Japão pode levar 20 anos
SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

Brasil e Japão avaliam que pode levar até 20 anos para a economia nacional atingir as condições necessárias para o desenvolvimento de uma indústria brasileira de semicondutores -elementos usados na produção de equipamentos eletrônicos.
O Brasil decidiu adotar o sistema japonês de TV digital com a promessa do Japão de contribuir para um plano estratégico de desenvolvimento dessa indústria. O acordo foi firmado em 2006. Hoje, os dois países concordam que o ambiente é desfavorável.

Falta para o Brasil formação de mão de obra, é preciso melhorar infraestrutura e logística de importação e exportação, além de criar uma política tributária mais atraente, segundo relatório feito pela Toshiba, empresa japonesa que mostrou interesse pelo negócio.

A Toshiba concluiu que o preço de insumos, como água e energia, é elevado, além das frequentes interrupções de energia. O Brasil rebate as críticas japonesas, propondo um suprimento continuado de energia. Segundo Miguel, o país também tem uma política fiscal específica que desonera as importações de equipamentos para o setor.Outra dificuldade no negócio é atrair fábricas de suporte à indústria de semicondutores.

Fonte: Folha de São Paulo - 12/02/2011

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