Governo Chávez aplica multa milionária à emissora

A Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) da Venezuela impôs nesta terça-feira (18) uma multa de R$ 3,8 milhões (9,3 milhões de bolívares) ao canal de televisão "Globovisión" pela cobertura jornalística da crise penitenciária de junho passado no país.<br>

20/10/2011

(20/10/11)

A Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) da Venezuela impôs nesta terça-feira (18) uma multa de R$ 3,8 milhões (9,3 milhões de bolívares) ao canal de televisão "Globovisión" pela cobertura jornalística da crise penitenciária de junho passado no país.

O presidente da Conatel, Pedro Maldonado, disse em entrevista coletiva que a multa representa 7,5% das receitas brutas da "Globovisión" em 2010. Segundo ele, a Comissão interpretou que a emissora fez apologia ao crime, "pelo comportamento editorial e pelo tratamento como o meio de comunicação abordou" a crise de junho.

Maldonado afirmou que "a multa é executável de maneira imediata", mas lembrou que a decisão é passível de recurso na Justiça e não representa a suspensão temporária do sinal da emissora, conhecida pela linha editorial crítica ao Governo do presidente Hugo Chávez.

A sanção foi tomada com base em um procedimento administrativo aberto em junho do ano passado sobre os eventos surgidos durante a crise penitenciária de El Rodeo, onde cerca de mil detentos fizeram uma rebelião por quase um mês. A vice-presidente do canal venezuelano "Globovisión", María Fernanda Flores, considerou a multa é exagerada e anunciou que a emissora pretende recorrer da decisão na Justiça.

"Esta multa econômica é uma sanção impagável. Não há maneira de pagar esta enorme quantia", declarou Flores. Para ela, o Governo tenta "quebrar moralmente a 'Globovisión'". "Houve falha administrativa por apologia ao crime, incitação à violação do ordenamento jurídico, alterações da ordem pública e incentivo à agitação civil", ressaltou Maldonado. "Também foi demonstrado ódio e intolerância pelas razões políticas".

A Conatel acusou a "Globovisión" de sensacionalismo ao transmitir somente as declarações extremas de familiares que não tinham informações sobre o que estava ocorrendo.

"(A emissora divulgou) as 18 declarações mais sentidas, as 18 declarações mais desesperadas e somente essas 18, gravadas e reiteradas em quase 300 ocasiões". Para a Comissão, o canal teria editado imagens para supostamente transmitir áudio de metralhadoras falsas e de não ter veiculado as declarações das autoridades "com a regularidade que elas foram feitas".

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