A Abert e a SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) deram início a três estudos sobre a TV aberta no Brasil. Um deles vai reavaliar o potencial de crescimento do setor, informou o engenheiro e consultor da Abert, Paulo Balduíno, durante o SET Centro-Oeste. O evento reuniu técnicos e representantes do setor de telecomunicações para discutir assuntos do setor, durante três dias, em Brasília.
21/10/2011(21/10/2011)
De acordo com o engenheiro e um dos coordenadores da pesquisa, existe uma demanda reprimida pelo serviço, principalmente em pequenas cidades do interior. Por isso, um dos objetivos do estudo será identificar as áreas onde a oferta da TV aberta é precária ou inexistente.
Outro levantamento vai buscar compreender com profundidade o impacto das novas tecnologias em TV, como o 3D e UHD (Ultra High Definition) no espectro da radiodifusão. A preocupação é a de que essas novas tecnologias possam demandar faixas de freqüência.
Por isso, os órgãos reguladores brasileiros não devem ceder à pressão das empresas de telefonia, observou Balduíno. Elas disputam a liberação da faixa de 700 megahertz (ocupada pela radiodifusão) para serviços de banda larga móvel. Já a radiodifusão sustenta que só é possível saber se pode haver a desocupação depois de 2016, após a conclusão da digitalização da TV .
A radiodifusão tem somente essa faixa para executar seus serviços. Já as teles tem várias e ainda o satélite. Para mim, essa discussão sobre o 700 não deveria nem existir, disse.
Durante a palestra, Balduíno apresentou um estudo em que mostra que o Brasil liberou mais espectro às telefônicas do que os Estados Unidos. A Anatel cedeu às companhias telefônicas brasileiras, 764 MHz. Já o órgão regulador das telecomunicações norte-americano destinou um total 547 MHz.
Segundo o engenheiro, existe uma contradição no pleito das telefônicas. Nos Estados Unidos, a taxa de penetração da banda larga é de 53%, enquanto no Brasil é de 11%. Em uma avaliação técnica do espectro, independente do interesse da radiodifusão, vemos que essa conta não bate, afirmou.
Ele defendeu a realização de um levantamento para identificar as freqüências utilizadas pelas teles. Vamos abrir o jogo, disse. Para ele, não há necessidade de se atribuir mais faixas aos serviços de SMP. Devemos levantar a demanda real brasileira e implementar alternativas tecnológicas para aumentar a capacidade das redes, do que simplesmente pedir mais espectro, defendeu.
Fonte: ABERT