ARTIGO - Daniel Araújo - presidente do Sinapro/SC

"Chega de enganadores infestando o mercado com tabelas e campanhas especulativas sem pé nem cabeça."

14/02/2012

(14/02/12)

Antigamente, propaganda era coisa de artistas que, na grande maioria, encontravam na profissão uma forma de imprimir suas ideias sem agredir seus ideais. Como todo começo, sem ferramentas disponíveis, o jeito era contar com a criatividade e o feeling para propor campanhas capazes de vender produtos ou serviços, propagar conceitos e disputar a preferência dos consumidores. Com o tempo, a era dos criadores de reclames foi sendo substituída por profissionais que buscavam superar seus concorrentes de forma mais contundente, porém, pautados pela ética. De lá para cá, muita coisa mudou. A poesia virou retórica e a criatividade passou a ser criteriosamente avaliada.
 
O Brasil teve sua primeira eleição direta na década de 80, quando entraram em cena também as primeiras campanhas políticas. Desde lá, o país vem se destacando por sua criatividade, reconhecida em diferentes festivais, mas também acumulando uma expressiva perda de credibilidade. Por conta da falta de profissionalismo de alguns, fomos obrigados a engolir a expressão "propaganda enganosa".
 
Resolvi escrever este artigo para promover uma reflexão aos que atuam no mercado da comunicação e que, portanto, deveriam levar a profissão mais a sério. Na minha visão, chegou a hora de separar o joio do trigo. Chega de enganadores infestando o mercado com tabelas e campanhas especulativas sem pé nem cabeça. 
 
Hoje não se tem mais espaço para fazer comunicação no “achismo”.  Uma campanha, um conceito, um slogan ou um simples jingle, feitos com afobação e sem planejamento, podem ser verdadeiros tiros n’água. Pior, podem prejudicar seriamente o desempenho e a imagem de uma empresa, de um produto, de uma marca e, em ano eleitoral, até mesmo de um candidato.
  
A criatividade pode fazer, sim, toda diferença, mas se obedecer a uma clara linha estratégica. Publicitários que atribuem ao seu aguçado feeling o direcionamento de um trabalho estão, na verdade, agindo de maneira irresponsável. O primeiro passo na elaboração de uma campanha publicitária é a imersão em todos os pontos de contato com a marca, para buscar sua essência e identificar as percepções do mercado. Não raro, faz-se necessário lançar mão de pesquisas para obter informações e subsídios para a realização de uma campanha assertiva. 
 
Santa Catarina vive um dos melhores períodos da história, no que se refere à propaganda. O mercado se profissionalizou, aqueceu e está oferecendo retorno financeiro aos que souberam acompanhar o momento positivo. Graças às boas ideias e à visão estratégica de diversos profissionais, estamos em forte evidência, sob o holofote de todo o país.
 
Cabe, então, a todos que fazem comunicação de verdade, usufruírem do cenário conquistado e não deixarem o nível cair, investindo em qualidade e direcionando todo o potencial criativo à boa propaganda, e não a estratégias insensatas, arriscadas e antiéticas. Afinal, a cada “achismo” que naufraga é a publicidade quem se afoga.
 
 
*Daniel Araújo é presidente da agência D/Araújo, do Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina (Sinapro/SC) e da Associação Brasileira de Agências de Publicidade de Santa Catarina (Abap/SC).

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