<P align=left>A Comissão Parlamentar de Inquérito do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (CPI do Ecad), no Senado, apresentou nesta terça-feira (24) o relatório final sobre as irregularidades do órgão. Segundo informações da Agência Brasil, o documento propõe 26 indiciamentos, que engloba 12 pessoas, e uma nova regulamentação para a arrecadação dos direitos autorais no Brasil. </P>
24/04/2012(24/04/12)
O texto da CPI do Ecad, com as novas propostas de gestão coletiva de direitos autorais, será votado na próxima quinta-feira (26), às 9h, pelo senadores da comissão. Se aprovado, segue para o plenário.
Com 400 páginas, o relatório é dividido em três partes. Na primeira, o relator Lindbergh Farias (PT-RJ) pede que a cúpula responsável do Ecad seja indiciada por apróprialção indébita de valores, fraude na realização de auditória, formação de cartel e enriquecimento ilícito.
Na segunda, o documento propõe que a regulação do órgão seja feita pelo Ministério da Justiça, que ficaria responsável pelo gestão e fiscalização. Hoje, esse trabalho é de responsabilidade do Ministério da Cultura. "A melhor forma de fiscalização dura é pelo Ministério da Justiça. O Ecad é uma grande caixa preta, burocratizada, ineficiente, sem controle e sem transparência alguma", explicou o relator.
A terceira parte sugere um conjunto de medidas para dar maior transparência ao escritório, como a fixação do preço do direito autoral em consenso entre o autor e associação. Caso um acordo não seja feito, o Ministério da Justiça entra como intermediário. Atualmente, a taxa é fixada pelo Ecad e só pode ser questionada judicialmente.
"É uma grande reforma no sistema de direito autoral. Além de indiciamentos, para resolver problemas do passado, de fraudes que existiram, e existiram porque não existia nenhum tipo de regulação, estamos trabalhando para o futuro. Para criar um sistema que tenha transparência, eficiência e modernidade", disse Farias.
Ainda nesta segunda-feira, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, apresentou uma proposta de lei para criar o Instituto Brasileiro de Direito Autoral, medida que está na Casa Civil para ser enviado ao Congresso. Em uma audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, ela tratou de denúncias de favorecimento do Ecad e disse que não iria comentar sobre a CPI.
Se aprovado, o instituto - que deverá ser ligado ao Ministério da Cultura - regularizará a remuneração da autoria de bens artísticos e fiscalizará as entidades arrecadadoras.
Posicionamento oficial do Ecad
Em comunicado oficial publicado nesta terça-feira no site do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o órgão alegou que virou foco de atenção e interesse devido ao aumento do recolhimento nos últimos cinco anos.
De acordo com seus dados, em 2011, o Ecad distribuiu R$ 411,8 milhões a 92.650 compositores, intérpretes, músicos, editores musicais e produtores fonográficos, um crescimento de mais de 18% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, a distribuição de direitos autorais cresceu 64,38%.
"O que difere o Ecad de qualquer outra organização, no entanto, é a exploração política que se faz. É preciso atentar que o que está em jogo neste cenário é a luta pelo direito de receber o que os criadores entendem ser justo pelo uso de suas músicas. O pano de fundo dessa questão não é moral. É meramente econômico", diz o documento.
O órgão ainda disse que atendeu todas as exigências para prestar esclarecimentos nas audiências da CPI e que convidou os membros da comissão para verificar suas atividades diárias em seus escritórios. O convite não foi aceito.
Sobre a necessidade de uma fiscalização externa, o escritório lembrou que é uma instituição privada que jamais recebeu subvenções do Estado. Porém, eles não temem qualquer tipo de supervisão, desde que seja técnica e sem viés políticos.
Fonte: Portal Terra