Quando eu tinha uns 8 anos, já me deliciava com o dial do rádio. Ficava fascinado quando podia ?corujar? as emissoras brasileiras pelas ondas médias e curtas acompanhando especialmente programas e transmissões esportivas. Ouvia pela Rádio Clube ? PRC-4 e depois pela Rádio Nereu Ramos, ZYT-42, a partir de 1958 todos os noticiários. <BR><EM>Por Edemar Annuseck<BR>Portal Caros Ouvintes - 27/01/2008</EM>
31/01/2008Quando comecei a freqüentar os jogos do Guarani. Você sabia de cor e salteado quais os onze de cada time, graças ao rádio. Hoje com a possibilidade de três alterações, com sete reservas no banco, e negociações quase que diárias de jogadores, o torcedor passa batido. Não fosse o rádio os torcedores assistiriam aos jogos sem poder distinguir quem está em campo. As informações ao longo de uma transmissão servem para se tome conhecimento dos cartões amarelos, substituições, renda, público, explicações de jogadores, técnicos e resultados das outras partidas.
Levar o rádio ou walk-man para o estádio se tornou moda a partir do surgimento do rádio portátil. Hoje quase não se ouve mais os sinais do tempo de jogo e do placar emitidos pelas rádios, porque o torcedor acrescentou o fone para escutar a transmissão. Quem gosta de futebol não dispensa o rádio nos estádios. Como seria o futebol sem os programas e transmissões; os programas que antecedem as Jornadas Esportivas, as entrevistas na chegada dos jogadores, dos torcedores, as escalações das equipes. As tvs iniciam as transmissões 15 minutos antes do início dos jogos, exceto em decisões. A televisão paga pelo futebol que exibe porque comercializa as grandes cotas publicitárias. Não dá para comparar a mídia do rádio com a da tevê.
O rádio não tem condições de pagar para utilizar cabines. Impedir a entrada dos profissionais no estádio e gramado é um caso muito sério e que merece a análise da ACESC (Associação de Cronistas Esportivos de SC), ABRACE (Associação Brasileira de Cronistas Esportivos), Associação das Emissoras de Rádio, Sindicato de Jornalistas e Radialistas, Ministério das Comunicações, Abert, Anatel e Associação Brasileira de Imprensa.
Mesmo os clubes cobrando pela liberação das cabines e acesso dos repórteres aos gramados, o que isto resolveria financeiramente. Nada, absolutamente nada. As dívidas dos clubes, seus gastos mensais transcendem a qualquer contribuição financeira que o rádio possa dar. O rádio já paga sua cota promovendo, divulgando e provocando as polêmicas entre dirigentes e torcedores.
O futebol precisa ser administrado por pessoas competentes, de preferência por profissionais, afinal é um esporte profissional. Os clubes não deveriam gastar mais do que arrecadam. Será que estou exagerando. Será que os dirigentes pensam dessa forma. Acho que não, porque a maioria dos clubes está endividada até o pescoço.
Sempre pautei pela imparcialidade ao microfone e nos textos. Aqui em casa Margot minha esposa faz questão de me lembrar sempre - você tem uma história muita bonita no rádio, não permita que seja jogada na lama-. Ouvir isso depois de quase 42 de união e 44 anos de profissão, me dá certeza de que esse é o caminho. O jornalismo ensina que antes da notícia ser levada ao público, sejam ouvidas as partes envolvidas.
Espero que a paz volte ao futebol do meu estado, que se respeite o rádio, companheiro de todas as horas, no carro, no escritório, na pescaria, no quarto, no banheiro, nos estádios.