Emissoras e fabricantes de televisores já discutem um relançamento da TV digital brasileira. Em assembléia anteontem, o fórum que congrega as empresas dos dois setores fez um balanço nada satisfatório dos três primeiros meses de TV digital na Grande São Paulo.
27/02/2008Testemunhas relatam discussões acaloradas, com apontamentos de inúmeros erros. As maiores críticas caíram sobre o governo federal e os fabricantes. A indústria é acusada de colocar à venda poucas caixas conversoras de sinal digital _fala-se em no máximo 50 mil aparelhos vendidos até agora. E de não investir em publicidade.
Os fabricantes, por sua vez, acusam o governo pela alta carga tributária, por insistentes e nunca cumpridas promessas do ministro Hélio Costa (Comunicações) de venda de conversores a baixo preço (R$ 250) e, principalmente, pela insegurança quanto à isenção de royalties do Ginga, o sistema operacional da TV digital nacional.
Sem certeza de que estão usando sistema livre de royalties, a indústria se recusa a fabricar caixas conversoras dotadas do Ginga. Isso emperra a TV digital no país, pois, sem o Ginga, não será oferecida interatividade. É como vender microcomputador sem Windows. Para tentar negociar patentes do Ginga, o secretário de Telecomunicações, Roberto Pinto Martins, e o assessor da Casa Civil André Barbosa viajaram segunda à noite aos EUA.
Fonte: Folha de São Paulo