<P>A diversidade sócia cultural e econômica do Brasil é tão grande qto a sua dimensão. O Brasil é um pais com uma imensidão cultural tão complexa e rica que seria necessário vários Aurélios para catalogar todos os costumes, linguajares e suas inúmeras manifestações sócio-culturais. </P>
11/07/2008Fico imaginando um publicitário paulista criando um comercial para uma montadora para vender uma Perua Diesel para o gaúcho onde lá perua é sinônimo de prostituta.
Será que o departamento de marketing está preparado para as diversidades semânticas e das suas inúmeras conotações regionais?
Exemplos: O paulista chama o semáforo de farol, o carioca de sinal e o capixaba de semáforo; A mortadela do paulista é igual ao salame do capixaba; A canjica do paulista é o mungunzá do nordestino; O jerimum do povo do norte é a abóbora do paulista e a macaxeira do pernambucano é a famosa mandioca do baiano.
Imagina também um baiano pedindo ao açougueiro em São Paulo para embrulhar um 1K de paulista que na Bahia é a mesma coisa que lagarto.
E o que dizer das palavras cerimoniosas: chamar o gaúcho de Ocê e o paulista de Tchê ou Tu não é a mesma coisa assim como tratar o mineiro com Digaí e o baiano de Oi!
Incrível também como o nome Cícero dá Ibope no Sergipe assim como o maranhense é doido por Ribamar.
Enfim, nesse mundo chamado Brasil existem mais universos desparalelos que a nossa filosofia diria: há mais mistérios nos céu do Brasil do que possa compreender o nosso vã marqueteiro.
A regionalização da Propaganda no Brasil já está passando da hora de acontecer. Vários são os exemplos dessa necessidade. Os cases de sucessos de grandes anunciantes e agências de propaganda que atentaram para esse foco, com certeza estão colhendo bons frutos
O Brasil é um grande mercado com vários segmentos e nichos que um grande trabalho de pesquisa por mais eficiente que fosse, não conseguiria detectar as características tipicamente regionais do comportamento,da linguagem, do universo cultural e social. Seria necessário um time de historiadores, antropólogos e sociólogos o que significaria um investimento astronômico.
Com certeza sairia mais em conta, firmar uma parceria com uma agência de propaganda local que convive com toda a gama de comercialização, comunicação, logística, conhecimento sócio-cultural da região e respostas com soluções econômicas eficientes e rápidas.
Se as peculiaridades regionais não forem inseridas no planejamento e na execução de programas mercadológicos, o risco de fracasso é muito maior.
Mais grave ainda é o atendimento que mesmo com a ajuda ?on line?, não possui o dinamismo e a capacidade e a eficiência de solucionar com rapidez, os problemas de uma comunicação local.
Somente uma agência regional possui essas ferramentas. Para a agência nacional seria muito dispendioso montar uma estrutura somente para atender determinada conta e quem sai perdendo com isso são os seus anunciantes e os milhares de estudantes e novos publicitários que ingressam no mercado a procura de trabalho e não encontram.
A mídia também é um setor que mais requer um conhecimento íntimo e atualizado de cada região. A eficiência de um bom plano de mídia requer além de uma dispendiosa verba em pesquisa de audiência de mídia e hábitos de consumo, um profundo relacionamento comercial com os veículos e fornecedores locais.
Por mais eficiente que fosse o profissional de mídia, será que ele poderia adivinhar que centenas de cidades no interior deste Brasil, o carro de som, a bicicleta ou a rádio local com vários altos falantes espalhados pelas ruas da cidade seriam a mídia mais ouvida? Ou também poderiam gastar uma fortuna com cópias em filme para a mídia Cinema e depois descobrir que na cidade de Vitória do Estado do Espírito Santo e não a da Bahia que também se chama Vitória mas da Conquista, os cinemas locais já dispõe de projetores digitais.
Se for falar de produção, ai a coisa pega. Se uma agência nacional criar um comercial que custe os míseros cinco mil reais, acaba saído mais caro que uma veiculação de uma semana.
Um simples cromo mais caro que uma mídia de Jornal ou Revista local.
Realmente, as mudanças estão acontecendo em todos os sentidos. O Brasil assim como toda a Terra estão sofrendo alterações sócio-econômica e ambientais. Os mercado e seus detentores tem que acompanhar com uma grande lupa o que está ocorrendo no seu próprio quintal. As grandes potencias dependem mais do nunca dos países emergentes assim como também, as grandes agências e anunciantes também dependem das agências menores para garantirem seus mercados regionais. O consumidor da era digital está mais exigente e informado. Um bom plano de marketing necessita de uma boa estratégia de relacionamento. O anunciante precisa estar mais próximo dos novos nichos. Não basta as agências de propaganda nacionais, oferecerem além dos atendimento de 360º, é necessário uma maior proximidade com o mercado através das agências regionais.
Takaschi Sugui
Presidente do Sinapro-ES