Exploração de RDS e metadados acelera caminho para o rádio híbrido no Brasil

Utilização dessas tecnologias atende a uma demanda da audiência, do mercado e auxilia a evolução tecnológica do meio no Brasil. ACAERT faz levantamento

09/02/2026


Como o tudoradio.com costuma destacar com frequência, o RDS (Radio Data System) não é uma tecnologia nova, mas sua importância tem sido ressignificada ao longo dos últimos anos. Em um mundo de mais telas, inclusive para plataformas de áudio, esse tipo de sistema acaba sendo a vitrine das emissoras de rádio e coloca o meio em igualdade de competitividade com aplicações digitais, muito pela forma como está sendo explorado pelos novos receptores e também por preparar terreno para o funcionamento de tecnologias como o “rádio híbrido”. Sabendo disso, existe um movimento simultâneo ao tudoradio.com de conscientização para o melhor uso dessa tecnologia pelas emissoras brasileiras, iniciativas lideradas por associações do setor.

Hoje, sem padronização dos códigos de PI do RDS, receptores de rádio gravam o nome das emissoras de forma automática e acabam gerando uma série de confusões aos ouvintes: nomes errados de estações (por utilizarem o mesmo código), nomes de músicas e outras mensagens gravadas como sendo o da estação, entre outras questões. Especialistas indicam que não utilizar o RDS para evitar esse tipo de transtorno é pior, pois o ouvinte já aguarda esse tipo de experiência no consumo de áudio, pelo menos para saber de forma imediata qual rádio está ouvindo e, também importante, qual conteúdo está no ar naquele momento.

A organização desse processo do RDS é necessária no Brasil e já está em curso. Emissoras, por conta própria, já organizaram o sistema conforme as melhores práticas recomendadas internacionalmente e que são discutidas com frequência pelo tudoradio.com desde 2017, mas com ampliação da exposição do tema a partir de 2024. E isso tem impactado diretamente o mercado: quando uma emissora passa a cuidar desse tema com prioridade, a própria audiência já nota a melhoria, coloca a estação em igualdade e acaba provocando concorrentes a buscarem o mesmo.

Porém, esse movimento ainda é orgânico, a partir da conscientização feita por profissionais técnicos e por veículos especializados, como o tudoradio.com. Para acelerar isso, associações como a ACAERT decidiram levantar dados sobre como o sistema é utilizado pelas emissoras em Santa Catarina, para adotar as melhores práticas possíveis de maneira estruturada, acelerando esse processo. O movimento é necessário, já que a concorrência entre plataformas é crescente, e o rádio precisa desses recursos para mostrar que está avançando em tecnologia. E a organização desse uso do RDS abre campo para o funcionamento de tecnologias como o rádio híbrido, que mistura dados conectados com o sinal de FM e precisa do RDS configurado para identificar as emissoras sintonizadas.

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Ouvintes mudam de telas, vão de plataformas de áudio online para o receptor de rádio conforme o hábito daquele momento. Quando, na tela do FM, aparece apenas a frequência, a experiência é incompleta. E isso afeta a percepção sobre a qualidade daquele conteúdo. Acaba sendo uma vitrine que pode determinar a escuta já nos primeiros segundos da experiência. Isso já foi acessório lá atrás, quando não existiam tocadores de áudio digital, as telas dos receptores eram pequenas, não havia aplicativos móveis e poucos rádios vinham com RDS (e, quando vinham, forçavam a rádio a aproveitar ao máximo o PS, aquele de oito caracteres).

Isso mudou. O PS (8 caracteres), apesar de ser utilizado para mais informações nos EUA, costuma ser indicado para incluir apenas o nome da rádio, facilitando para que o receptor — que hoje mostra as estações em lista — identifique e memorize o nome da estação. O RT (Radio Text, de 64 caracteres) entra no jogo para oferecer mais informações detalhadas daquilo que se ouve, já que, na maioria dos receptores, ele passa a ser a principal informação a ser utilizada após segundos de sintonia da emissora. Esse padrão tem sido adotado por emissoras que viraram referência no assunto aqui no Brasil e é comum na Europa.

Repórter: Tudoradio.com

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