Rádio ganha força no carro conectado com foco em IA, localização e conteúdo personalizado
Especialista aponta que evolução dos sistemas multimídia e da publicidade geolocalizada deve ampliar a disputa no áudio digital, mas reforçar a relevância do rádio como mídia local e de fácil acesso nos veículos inteligentes
25/06/2026
FOTO: Magnifc
O avanço da inteligência artificial nos veículos conectados deve alterar significativamente a forma como motoristas acessam conteúdos de áudio, ao incorporar recursos de personalização, reconhecimento de perfis, comandos de voz mais avançados e publicidade baseada em localização. Segundo o analista do setor de veículos conectados Roger Lanctot, essas mudanças tendem a ampliar a concorrência entre plataformas de áudio, mas também podem reforçar uma das principais vantagens competitivas do rádio: a oferta de conteúdo local e relevante, além de fortalecer a importância da identidade das emissoras em painéis cada vez mais controlados por software. Segundo Lanctot, tendências como personalização, descoberta de conteúdo, relevância geográfica e publicidade baseada em localização estão ganhando espaço à medida que fabricantes incorporam recursos de inteligência artificial aos sistemas multimídia dos automóveis. O tema foi abordado durante participação do especialista no podcast Leading Local Insights, da BIA. A movimentação já pode ser observada em iniciativas como a adoção do assistente de inteligência artificial Gemini, do Google, em veículos da General Motors. A expectativa é que esses sistemas deixem de atuar apenas por comandos de voz e passem a integrar navegação, entretenimento, informações e outros serviços oferecidos ao motorista. Nesse contexto, Lanctot avalia que um dos principais desafios para o rádio será manter sua facilidade de acesso em painéis cada vez mais controlados por software. Segundo ele, a localização das emissoras na interface dos veículos precisa continuar sendo intuitiva para preservar a experiência do usuário. Outro ponto destacado pelo especialista é a evolução dos perfis personalizados. A expectativa é que os veículos passem a reconhecer automaticamente cada motorista, carregando suas preferências de mídia assim que ele entrar no automóvel. Isso incluiria emissoras de rádio, podcasts, serviços de streaming e outras fontes de áudio.
Quer receber notícias da ACAERT? Assine a newsletter - Assine aqui e receba por e-mail Na avaliação de Lanctot, esse modelo pode fortalecer o vínculo entre ouvintes e emissoras, desde que as rádios consigam ocupar espaço nesses perfis personalizados. Por outro lado, a automação amplia a competição, já que o rádio passa a disputar atenção diretamente com diversas plataformas de áudio disponíveis no painel do veículo. O especialista também relata que a experiência de encontrar emissoras ainda apresenta limitações em alguns sistemas atuais. Em determinados modelos, por exemplo, o usuário precisa informar a frequência da rádio em vez de apenas solicitar a emissora pelo nome. Com a evolução dos assistentes baseados em inteligência artificial, a tendência é que esse processo se torne mais simples, aumentando a importância da identidade das marcas de rádio em relação ao próprio posicionamento no dial. Além da evolução das interfaces, Lanctot destaca que os veículos conectados passaram a gerar um volume crescente de informações sobre localização, destinos, rotas e hábitos de deslocamento dos usuários. Esses dados podem ampliar as possibilidades de entrega de conteúdo e publicidade contextualizados. Segundo ele, o automóvel reúne características favoráveis para experiências publicitárias baseadas em localização, desde que sejam relevantes para o motorista e não invasivas. O especialista avalia que o rádio parte de uma posição privilegiada nesse cenário por sua tradição na conexão entre empresas locais e consumidores de uma determinada região. Para Lanctot, a combinação entre conteúdo local, reconhecimento da marca da emissora e novas possibilidades de segmentação geográfica pode reforçar a presença do rádio dentro da próxima geração de veículos conectados, mesmo diante da crescente concorrência de plataformas digitais de áudio.