Nova classificação aponta que o serviço não é indicado para menores de 16 anos
05/05/2026
O governo aumentou a classificação indicativa do YouTube de 14 para 16 anos após uma nota técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontar a presença de conteúdo prejudicial para menores de idade na plataforma. A mudança faz parte do ECA Digital e tem como objetivo indicar a faixa etária recomendada para o uso de serviços online.
O que muda na prática? A medida indica que o YouTube não é recomendado para menores de 16 anos. O documento do MJSP determina que, onde quer que o serviço seja oferecido na internet, o selo de 16 anos deve estar visível, como nas lojas de aplicativos, e o usuário deve ser informado da classificação antes de acessá-lo.
Além de informar a nova faixa etária (16 anos), a plataforma deve indicar, junto da classificação, quatro tipos de conteúdo que justificam a nota: conteúdo sexual, drogas, violência extrema e linguagem imprópria. A nota técnica também afirma que a reclassificação tem caráter apenas informativo e não busca "impor censura ou proibição de exibição", o que significa que os conteúdos continuam disponíveis na plataforma.
O documento que reclassifica o YouTube cita a circulação de animações como um dos fatores para a revisão e menciona a "Novela das frutas", conteúdo feito com uso de IA que viralizou nos últimos meses, como exemplo. Segundo o documento, esse tipo de vídeo tem aparência inofensiva, mas aborda temas como tráfico, violência doméstica e abuso, o que exige mais cuidado na classificação.
O YouTube, que pertence ao Google, pode recorrer da decisão em até dez dias após a publicação no Diário Oficial da União. O g1 entrou em contato com a empresa e aguarda resposta. No início do ano, outras plataformas também foram reclassificadas: TikTok, Kwai e WhatsApp, por exemplo, passaram a ter classificação indicativa de 16 anos.
Proíbe a autodeclaração de idade em sites e serviços
digitais restritos a maiores de 18 anos.
Exige que redes sociais ofereçam versões sem conteúdos
proibidos ou publicidade direcionada e que contas de menores de 16 anos sejam
vinculadas às de seus responsáveis.
Determina que marketplaces e aplicativos de entrega de
bebidas alcoólicas, cigarros e produtos eróticos verifiquem a idade no cadastro
ou no momento da compra e bloqueiem automaticamente o acesso de menores a itens
proibidos.
Impõe que plataformas de apostas impeçam o cadastro e o
acesso de crianças e adolescentes.
Obriga buscadores a ocultar ou sinalizar conteúdos
sexualmente explícitos e a exigir verificação de idade para o desbloqueio.
Exige que provedores de conteúdo pornográfico adotem
verificação de idade, proíbam a autodeclaração e removam contas identificadas
como pertencentes a menores.
Determina que jogos eletrônicos com caixas de recompensa
bloqueiem o acesso de menores ou ofereçam versões sem essa funcionalidade.
Estabelece que serviços de streaming cumpram a classificação
indicativa e disponibilizem perfis infantis, mecanismos de bloqueio e
ferramentas de controle parental.
Plataformas que têm mais de 1 milhão de crianças e
adolescentes cadastrados devem enviar relatórios mostrando como apuraram
denúncias e quais medidas de moderação de conteúdo foram adotadas.
A mudança também afeta a estrutura do governo. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi transformada em agência reguladora e terá atribuições ligadas ao Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. O descumprimento das medidas pode levar a multas que vão de R$ 10 por usuário cadastrado na plataforma até um limite de R$ 50 milhões, dependendo da infração. As empresas também poderão ter as atividades suspensas temporária ou definitivamente.
Kwai: de 14 anos para 16 anos
TikTok: de 14 anos para 16 anos
Instagram: de 16 anos para 16 anos
LinkedIn: de 12 anos para 16 anos
WhatsApp: 12 anos para 14 anos
X (Twitter): de 18 anos para 18 anos
Pinterest: de 12 anos para 16 anos
Messenger: de 12 anos para 14 anos
Threads: segue em 16 anos
Reddit: segue em 18 anos
Discord: segue em 18 anos
Poosting: segue em 18 anos
Twitch: segue em 18 anos
Snapchat: 12 anos para 16 anos
Bluesky: segue em 18 anos
Quora: de 12 anos para 18 anos
Repórter: G1