ABERT repudia número crescente de atentados à liberdade de imprensa

Em nove dias, foram contabilizados 19 casos de agressões, detenções, ofensas, ataques e vandalismo

10/03/2016

Agressões a jornalistas e protestos contra empresas de comunicação marcaram o início do mês de março. Em nove dias, foram contabilizados 19 casos de agressões, detenções, ofensas, ataques e vandalismo. Desde o início de 2016, os números impressionam: em pouco mais de dois meses, foram 55 casos de atentados à liberdade de imprensa.

Os ataques se intensificaram na sexta-feira (4). Manifestantes arrancaram e quebraram a câmera da repórter da TV Globo, Mayara Teixeira, durante a cobertura do depoimento do ex-presidente Lula à Polícia Federal, em Congonhas. Os repórteres Juliano Dip e Gabriel Shinjimax, da Band TV, e Renato Biazzi e David Irikura, da TV Globo, também foram agredidos durante a cobertura.

Além das agressões físicas aos jornalistas, o carro da equipe do repórter da TV Globo, André Azeredo, foi recebido a pontapés na sede do PT em São Paulo e a repórter Bruna Vieira foi fortemente hostilizada durante a cobertura da ação da Polícia Federal. Os repórteres Roberto Kovalick e Marco Antônio Gonçalves foram xingados e impedidos de continuar uma entrevista.

As situações de violação à liberdade de imprensa não pararam por aí. No domingo (6), cerca de 150 pessoas realizaram um protesto em frente à sede da Rede Globo do Rio de Janeiro, hostilizaram funcionários e jogaram ovos e pedras na sede da emissora.

Na noite de terça-feira (8), manifestantes do Movimento Sem Terra (MST) atacaram a sede da Organização Jaime Câmara, em Goiânia. Por mais de uma hora, os integrantes no MST tomaram posse da recepção, além de fazerem pichações com tinta vermelha na fachada do prédio, onde funcionam a rádio, a TV e dois jornais da OJC.

Já em Belo Horizonte, o repórter fotográfico Alex de Jesus e a repórter Débora Costa, do Jornal O Tempo, foram detidos ao checar uma denúncia em uma unidade de saúde de Nova Lima, na região metropolitana.

Em São Paulo, a equipe do repórter Fábio Menegatti, da Rede Record, foi agredida durante matéria sobre golpe aplicado por estelionatários donos de uma loja de carros de luxo em São Paulo.

Ainda no dia 8, em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, jornalistas da revista IstoÉ divulgaram uma carta de repúdio às ofensas de cunho machista veiculadas em redes sociais contra Débora Bergamasco, diretora da sucursal de Brasília e autora da matéria "A Delação de Delcídio”.

Por meio de notas à imprensa, a ABERT tem repudiado, constantemente, a repetição dos ataques aos jornalistas no exercício da profissão, considerados pela Associação “extremamente preocupantes”.

De acordo com a ABERT, “é inaceitável que a imprensa seja impedida de atuar na cobertura de fatos de interesse da sociedade”.

Repórter: Assessoria de Imprensa ABERT

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